Um relatório que analisou a capacidade
de fomentar o crescimento da geração de energia renovável em 26 países
da América Latina e Caribe classificou o Brasil como líder da região.
Mas, ao mesmo tempo, sinalizou que o País poderia diversificar mais suas
fontes de financiamento e políticas de fomento para melhorar o
desempenho no setor.
O Climascópio 2012, lançado
oficialmente nesta terça-feira (19), durante a Conferência das Nações
Unidas Sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), atribuiu ao País a
pontuação global de 2,64, dentro de uma escala de 0 a 5. A pontuação
máxima representa o melhor ambiente para investimentos. O Brasil teve a
melhor presença em termos de uma matriz energética limpa e
diversificada, com capacidade de atrair investimentos.
A chefe para América Latina da
Bloomberg New Energy Finance, Gabriela da Rocha, analisa que, enquanto a
maioria dos financiamentos no Brasil são feitos via BNDES, outras
nações conseguem receber ajuda significativa de governos estrangeiros e
financiadores internacionais.
“Na hora de fazer um panorama de qual
são as outras fontes de investimento, o Brasil fica um pouco para
atrás”, admite Gabriela. Mas ela acrescenta que nenhum dos países
analisados agrega “investimentos locais para projetos locais”, coisa que
o Brasil consegue fazer por conta do próprio BNDES.
De acordo com a analista, as pontuações
alcançadas no estudo indicam um ótimo desempenho do Brasil, mas, ao
mesmo tempo, demonstram que ainda existem amplas oportunidades de
melhoria das condições para atração de investimentos ao País. Até porque
o Brasil teve leve redução de desempenho nos indicadores que examinam a
quota de energia renovável em relação à capacidade instalada e à
geração.
De acordo com estimativas do
Climascópio 2012, o Brasil agregou projetos focados em energia limpa no
valor de cerca de US$70 bilhões entre 2006 e 2011, com destaque aos
biocombustíveis e usinas eólicas, que absorveram uma boa fatia destes
aportes. O documento calcula que, em termos absolutos, o Brasil possui
uma capacidade instalada de 13,9 GW em energia limpa - aproximadamente
3GW a mais do que o resto dos outros países da América Latina e do
Caribe juntos.
Microcrédito
Brasil e México estão entre os países
que mais ofertaram empréstimos para microempresas e pessoas físicas
investirem em projetos de eficiência energética. Mas, de acordo com a
chefe da Bloomberg, esse cenário pode melhorar mais.
“Quisemos saber quem ofertava esse tipo
de produto”, explica Gabriela, ao calcular que das 36 instituições de
microfinanças que operam no Brasil, nove oferecem microcrédito. “São
projetos importantes que ajudam estas empresas a diminuírem seus
custos”, opina.
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